sábado, 29 de novembro de 2008

Das coisas que eu coloco na cabeça

Quando eu cismo com uma coisa, ninguém tira de mim até que eu consiga realizá-la.
E esse final de ano estou decidido a não trabalhar com a ginástica. Não quero passar aquele sufoco dentro do ginásio com meia dúzia de alunos, um calor infernal e pouco dinheiro no bolso. Quero trabalhar em loja. Isso mesmo, no shopping.

Fiz meu currículo, inventei algumas coisinhas, imprimi e fui pro shopping. Pensei em ir só nas lojas que me interessavam, aquelas que eu costumo gastar muito dinheiro.
Passei em frente a Colcci, entrei, cumprimentei os vendedores que estão acostumados a desmontar a loja pra mim e chamei a gerente. Ela vem, me chama pelo nome, indaga pela minha mãe, me dá um beijo e pergunta em que ela poderia me ajudar. Sem a menor vergonha na cara eu disse em alto e bom tom que gostaria de deixar um currículo para trabalhar na loja no final do ano. Pra minha surpresa foi tudo muito simples.
Ela me chamou numa salinha que eu jamais imaginei que existisse dentro da loja. Nem olhou meu currículo e disse que iria começar uma entrevista. Uma entrevista diferente daquela vez. Ela queria que eu contasse a história da minha vida.
Ótimo! Eu já tinha decorado os cursos que tinha inventado no currículo, tinha ensaiado algumas falas pra contar como foram minhas expriências anteriores e ela me pede pra contar a história da minha vida.
Fiquei super confuso. Não sabia por onde começar. Qual história seria mais legal pra ela ouvir, a minha história de menino mimado, que nunca trabalhou, que nem imagina como se dobra uma calça, ou a história do garotinho sofrido, que os pais se separaram e tive que trabalhar desde cedo pra ajudar minha mãe que não tem uma perna?? É, essa não ia colar. Ela sabe que eu gasto quase todo meu salário na loja, conhece minha mãe, sabe que ainda é casada e tem as duas pernas. Respirei fundo e comecei...

Contei a minha real história, que não sei pq é tão engraçada pros outros. E durante a minha narração ela soltava algumas perguntas no ar, tipo "que estilo de música você gosta?", "qual sua qualidade principal?", "você namora?", "qual defeito você não suporta em uma pessoa?", "você sabe das últimas tendências da moda?", "qual sua comida preferida?" "quantas horas por dia vc dorme?", "você já amou alguém?", "quanto tempo durou seu namoro mais duradouro?" "você gosta de praia?". Enfim, algumas perguntas eu entendo que faça sentido, uma vez que ela quer contratar alguém pra lidar com o público, agora, que diferença faz o tempo que durou meu namoro mais longo? Em que vai interferir no atendimento se eu gosto de comida vegetariana? Qual o grande impecilho de contratar alguém que não gosta de ir à praia de Santos?

Alguém sabe me explicar?

Acabamos a entrevista 1h depois, ela com um sorriso largo no rosto e eu com a sobrancelha franzida, super desconfiado de que tinha uma câmera escondida em algum lugar, que aquilo era uma pegadinha.

Ela me disse que gostou muito da minha história, que me ligará na próxima semana pra me dizer quando começo o treinamento. Não sei se é verdade, as pessoas que trabalham em loja costumam mentir em relação as roupas, penso que elas podem mentir em relação à qquer coisa.

Não estou otimista, mas imagina que legal seria eu poder trabalhar na Colcci e comprar roupas pra mim muito mais baratas???
Ai, fico emocionado só de pensar nessa hipótese!



: )

11 comentários:

Leo disse...

Bacana a entrevista hein? Com certeza ela traçou um perfil seu muito melhor do que o seu falso currículo poderia traçar. Acho q ter tido longos relacionamentos falariam da sua capacidade de se comprometer e aceitar diferenças... Ser vegetariano pode falar de suas ideologias. Agora a praia de Santos já foi demais! hehe
Boa sorte!

bete p.silva disse...

Eu acho que essas pessoas perguntam essas bobeiras porque simplesmente não sabem o que perguntar. Eu, levaria o candidato até a loja, e simularia uma venda, fazia de conta que eu era a cliente e via como ele se comportava. Que diferença faz se o cara namora, se nasceu num lar triste ou feliz, se é de câncer ou de libra, o importante não é saber vender, ter desenvoltura?

AFFF

Boa sorte pra você, e tenta não gastar todo teu salário em roupas, pense numa poupancinha básica.

Pavinatto disse...

Isso é caso de processo. Ela nunca poderia ter perguntado tudo aquilo... UM ABSURDO! NOJENTO! ILEGAL! INCONSTITUCIONAL... Tudo errado...

Sunflower disse...

Ela tava te passando um 171, dã.

beijas e boa sorte

Bridget Jones disse...

Thi,

É claro que vai dar tudo certo! Ela vai te chamar sim e vc vai adorar trabalhar em loja. Eu ja trabalhei na Triton e na Levi's e sempre foi uma delicia.

Se precisar de alguma coisa, estamos aí...

Beijo.
BRID

Serginho Tavares disse...

eu acho super justo você ir trabalhar lá!
estou torcendo!

beijos

D.J. Dicks disse...

eu sou o garoto mimado que nunca trabalho.... mas hja fiz entrevista de emprego via msn....

Anônimo disse...

Opa! Se vc realmente for trabalhar lá podeira me dar uns descontinho básicos ! xD

Gui Sillva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gui Sillva disse...

fora que dá para tirar uma ótima grana com as vendas de natal.
mas tem que começar logo!!!

ps.: posso pedir para vc corrigir o "quando eu sismo para quando eu cismo (que é o correto)"?
o blog é tãooo Bacana que merece.

beijo
Guiii

Ruberto Palazo disse...

Entrevistas nao precisam ter um rumo ou lógica, geralmente os entrevistadores usam critérios nada parciais e muito pessoais para faze-lo. Uma vez que ela te conhece e sabe que voce compra roupas lá, vc pode ser o candidato perfeito para trabalhar na loja já que gosta daquilo que compra e com certeza vai vender com muito gosto aquelas roupas. A entrevista foi para te conhecer mesmo, pq desde o inicio o emprego já era teu...
Mas espero pelo proximo post para saber quais as novidades...

Abraços